Endometriose: uma história de dores, perdas e descobertas
Quando o corpo sente por anos e as respostas demoram a chegar
Minha história com a dor começou ainda na adolescência.
Durante anos, convivi com dores, mas nunca recebi uma orientação que levasse a uma investigação mais aprofundada ou à solicitação de exames para compreender o que estava acontecendo. Com o passar do tempo, aquelas dores continuaram fazendo parte da minha vida, sem que eu soubesse o que havia por trás delas.
Em março de 2026, vivi uma das experiências mais dolorosas da minha história: a perda gestacional do meu primeiro bebê.
A partir daquele momento, minha vida passou por mudanças profundas. A perda não representou apenas uma dor emocional. Vieram também consequências que atingiram diferentes áreas da minha vida, trazendo prejuízos profissionais, perdas de oportunidades de trabalho, impactos financeiros e dificuldades que afetaram minha estabilidade.
Minha saúde também passou a exigir uma atenção que antes eu não conseguia dimensionar. Minha saúde mental, emocional, nutricional e hormonal tornou-se parte de uma jornada de cuidados, questionamentos e busca por respostas.
Foi um período em que precisei lidar com muitas mudanças ao mesmo tempo, tentando encontrar caminhos para continuar.
Setembro de 2026: um diagnóstico que trouxe novas respostas
Meses depois, durante a realização de exames e a investigação da minha saúde, recebi o diagnóstico de endometriose profunda e avançada, com focos no retossigmoide e intestino.
A notícia trouxe muitas reflexões. As dores que me acompanhavam desde a adolescência passaram a ser compreendidas dentro de um novo contexto.
Receber esse diagnóstico significou começar a conhecer melhor uma condição que pode afetar diferentes aspectos da saúde feminina e que exige acompanhamento individualizado.
Não significa que todas as experiências anteriores tenham uma única explicação, nem que a endometriose tenha sido responsável pela minha perda gestacional. São acontecimentos importantes da minha história, que merecem ser relatados com respeito e responsabilidade.
Endometriose não é apenas sobre cólicas
A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do interior do útero. Pode atingir diferentes regiões do corpo, inclusive estruturas pélvicas e intestinais.
Suas manifestações variam entre as mulheres. Dores menstruais intensas, dor pélvica persistente, dor durante relações sexuais e sintomas intestinais ou urinários podem estar presentes.
Por isso, dores que interferem na rotina e na qualidade de vida merecem investigação. Não devemos naturalizar o sofrimento feminino nem considerar que sentir dor intensa seja simplesmente parte de menstruar.
A saúde feminina envolve muito mais do que o diagnóstico
Minha experiência me fez perceber que a saúde não pode ser dividida em partes isoladas.
O corpo, a mente, as emoções, a alimentação, os hormônios, o trabalho, os relacionamentos e os sonhos fazem parte de uma mesma história.
Depois de tudo o que vivi, compreendi ainda mais a importância de buscar acompanhamento profissional, cuidar da saúde emocional, olhar para minha alimentação e respeitar os limites do meu corpo.
Ainda estou nessa caminhada. Continuo buscando respostas, acompanhamento e possibilidades para cuidar da minha saúde e preservar meus sonhos, inclusive o sonho da maternidade.
Não escrevo como alguém que encontrou todas as respostas, mas como uma mulher que está aprendendo, questionando, descobrindo e reconstruindo caminhos.
Por que nasceu o Diário Entre Ciclos?
O Diário Entre Ciclos nasceu também dessa história.
Da necessidade de falar sobre aquilo que muitas mulheres vivem em silêncio, das dores que nem sempre são compreendidas, das perdas que transformam vidas e dos desafios que envolvem a saúde feminina.
Quero que este espaço seja um lugar de informação responsável, experiências reais e acolhimento.
Um espaço para conversar sobre endometriose, saúde mental e emocional, fertilidade, maternidade, alimentação e autocuidado.
Se minha experiência puder ajudar outra mulher a reconhecer a importância de investigar suas dores, buscar orientação e não se sentir sozinha, compartilhar essa história já terá um significado especial.
Minha história continua. Não termina com uma perda, nem se resume a um diagnóstico.
Existem novos cuidados, descobertas, sonhos e ciclos pela frente.
Não quero que minha história seja apenas sobre o que perdi, mas também sobre tudo o que ainda desejo viver.
Diário Entre Ciclos — entre o corpo, a mente e os sonhos.
Este relato compartilha uma experiência pessoal e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde.
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